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O Beijo Que a Jogou nos Braços do Chefão Mais Perigoso do Brasil

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Larissa Ferreira trabalhava até tarde porque a quietude do apartamento alugado na Vila Madalena pesava mais do que qualquer pilha de declarações fiscais. Vinte e seis anos, auditora júnior na Veritas, uma firma média de São Paulo, ela ainda não tinha se acostumado com o eco dos próprios passos depois que a mãe fora internada numa clínica em Atibaia. O convite para a gala beneficente no Hotel Tangará surgira como uma brecha na rotina. Vestido verde-esmeralda alugado, taça de prosecco intacta nas mãos por mais de uma hora, cartões de visita na bolsinha de strass. A noite era para ser uma troca de acenos sem entusiasmo com diretores entediados.

Terminou quando Bruno Pompeu cruzou o salão.

Sócio sênior de uma concorrente, Bruno a perseguia havia três meses com uma insistência que oscilava entre a prepotência e o assédio puro. O uísque do open bar só piorou o tom. Ele passou quarenta minutos grudado, mão roçando a parte baixa das costas dela, hálito quente de malte encostando no pescoço. Larissa tentou despistá-lo entre as mesas de doces finos, depois rumou para a ala restrita dos salões privativos. Abriu uma porta de mogno e escapou para um corredor acarpetado que engolia o som dos saltos. Atrás dela, os passos descompassados de Bruno entravam pela mesma porta.

— Larissa. — A voz arrastada ricocheteou no corredor. — Para de se fazer de difícil.

O pânico apertou um nó na garganta. O fundo do corredor terminava numa porta dupla guardada por um brutamontes de sobretudo. Ao lado, um homem alto, ombros largos dentro de um terno cinza-chumbo que parecia moldado no corpo, falava em voz baixa com o segurança. Larissa não pensou. Precisava de um escudo, de uma mentira que fizesse Bruno recuar de vez. Sem medir consequência, agarrou as lapelas do estranho e colou os lábios nos dele.

O homem enrijeceu. Por um segundo, foi como beijar uma estátua. Larissa fechou os olhos e rezou para que ele entendesse. Ele entendeu. Uma mão calejada subiu até a nuca dela, dedos entrando nos cabelos presos, e assumiu o controle do beijo. O gosto era de uísque escuro, tabaco e um perigo que Larissa não sabia nomear. Quando se afastou, ofegante, o corredor estava em suspenso. Bruno recuava, o rosto sem cor, tropeçando nos próprios pés antes de girar e sumir pelo salão.

— Obrigada. — A voz dela falhou. — Ele não me deixava em paz e eu precisava…

A frase morreu. A luz do corredor bateu no rosto do estranho. Traços aristocráticos, olhos cinzentos como céu de tempestade, uma cicatriz fina que descia a lateral esquerda do maxilar. Larissa notou então os outros três homens que haviam brotado das sombras. Todos com pistolas apontadas para o peito dela.

— Abaixa. — A voz do homem era áspera, baixa.

As armas baixaram. Ele sacou um lenço branco do bolso e limpou uma mancha de batom coral no canto dos lábios. O gesto foi lento, quase cerimonioso.

— Você costuma se jogar em estranhos em corredores escuros, *tesouro*?

Larissa sentiu as batidas do coração martelando nas costelas. Deu um passo para trás.

— Foi um erro. Sinto muito. Tenham uma boa noite.

Levantou a barra do vestido emprestado e correu. A saída de serviço desembocou num estacionamento onde o ar frio da garoa paulistana cortava o rosto. Não parou até chegar no apartamento da Rua Harmonia. Trancou a porta e repetiu para si mesma que o estranho era só um bilionário arrogante com segurança excessiva.

Estava enganada.

Na manhã seguinte, Letícia, a melhor amiga, explodiu o celular dela com mensagens. O link levava a um portal de notícias policiais. A manchete estampava: *Chefe do Primeiro Comando da Capital comparece a evento beneficente*. Abaixo, uma foto granulada do homem que Larissa beijara. Chamava-se Rafael Carvalho, trinta e dois anos, líder inconteste de uma das facções mais sanguinárias do país. Controlava roubo de cargas, portos clandestinos em Santos e uma engrenagem de lavagem de dinheiro que atravessava a fronteira com o Paraguai. No submundo, diziam que Rafael ordenava execuções no café da manhã sem mudar o tom de voz.

Larissa fechou o notebook com força. Suor frio brotou na testa. Ela era uma auditora comum, com parcelas do Fies atrasadas, que comprava pão de queijo na padaria da esquina. Rafael Carvalho não tinha motivo para lembrar dela. Ia esquecer.

Dentro do universo de Rafael, nada era esquecido.

Viveu três dias com uma paranoia que a fazia estremecer a cada carro parado na rua. Dois dias depois, Bruno Pompeu foi surpreendido por uma proposta irrecusável: chefiar a filial de Londres. Aceitou e desapareceu em menos de uma semana. Na sexta-feira, no fim do expediente, Larissa desceu para a garagem subterrânea do prédio comercial na Berrini. O estacionamento estava vazio, as lâmpadas fluorescentes piscando e deixando um tom amarelado no concreto. O Honda Fit prata dela estava bloqueado por uma Toyota SW4 preta, vidros escuros, motor ligado.

Apertou a chave na mão e se virou para o elevador. Uma figura enorme surgiu de trás de uma coluna: o mesmo segurança de sobretudo do hotel.

— Dona Larissa. — A voz não soou como um cumprimento. — O chefe quer falar com a senhora.

A porta traseira da caminhonete se abriu. As pernas dela pesaram. Entrou.

Rafael estava no banco de couro, uma pasta aberta sobre o colo. A luz do painel desenhava sombras na cicatriz do maxilar. Parecia ainda mais perigoso do que naquela noite, não porque exibisse raiva, mas porque nada nele parecia fora de controle.

— Entra.

Ela sentou à frente dele. O cheiro de couro e colônia escura invadiu o espaço.

— Larissa Ferreira. Formada na PUC com mérito. Dívidas estudantis. Mãe numa clínica em Atibaia. — Levantou os olhos. — Você leva uma vida extraordinariamente sem graça.

— O que você quer? — A voz saiu trêmula. Ela repetiu que o beijo foi um acidente, que não sabia quem ele era.

— Sua ignorância não importa.

Rafael tirou uma foto 20×25 da pasta e colocou no colo dela. A imagem mostrava o beijo no corredor. O ângulo tornava o gesto íntimo, apaixonado, inequívoco. A foto fora tirada por alguém ligado a Victor Almeida, chefe de uma facção rival da Zona Sul. Victor buscava uma brecha para atacar os negócios de Rafael. E Larissa, sem querer, havia entregado a brecha perfeita. Desde a manhã anterior, o submundo de São Paulo acreditava que ela era a amante secreta de Rafael Carvalho.

— Não. — O sangue fugiu do rosto dela. — Você precisa desmentir. Explicar que foi um engano.

Ele riu, sem calor.

— No meu mundo, o que os outros acreditam vira fato. O Victor não quer saber quem você é de verdade. Ele só sabe que deixei você chegar perto o suficiente para encostar em mim. Os homens dele vão te pegar, arrancar tudo o que você puder dar e jogar o que sobrar na Represa.

Um enjoo subiu pela garganta.

— Eu não queria nada disso. — Os olhos arderam. — Eu posso sumir, sair do estado.

— O Victor tem olhos nos aeroportos, nas rodoviárias. Você não passa da divisa.

Rafael se inclinou. O espaço no carro pareceu sumir.

— Só tem um jeito de você sair viva dessa.

Ela encarou os olhos cinzentos.

— Você vai aceitar a mentira. Vai se mudar para minha propriedade em Granja Viana. Vai aparecer em público comigo, segurar minha mão, agir como se fosse a pessoa mais importante da minha vida. Por um mês, você é minha noiva.

— Você quer me usar de isca.

— Quero que você seja convincente. Se fizer direito, meus homens te protegem enquanto eu desmonto a organização do Victor.

— E se eu recusar?

Rafael deixou a quietude responder. Ele sairia dali e deixaria Larissa na garagem. Os homens de Victor a encontrariam antes do amanhecer.

Uma lágrima escorreu.

— Tá bem. Eu faço.

Ele não suavizou a expressão, mas algo faiscou nos olhos. Bateu no vidro que separava o motorista.

— Vamos para casa, Enzo.

A caminhonete deslizou pela Marginal Pinheiros sob a garoa. Larissa olhava as luzes da cidade e entendia que tinha virado peça numa engrenagem sem saída. Rafael estendeu a mão e segurou os dedos frios dela. O toque era um ensaio para os olhos que já os vigiavam. O mais desconcertante não era o medo. Era a maneira exata como a mão dela se encaixava na dele.

Os portões da propriedade em Granja Viana se abriram como a entrada de uma prisão bonita. Cercas vivas, muros altos, câmeras, homens armados. Na primeira noite, depois de instalá-la no quarto de hóspedes decorado com seda, Rafael a levou até a biblioteca. — A partir de agora, você é Penélope. É assim que meus homens vão te chamar em operações. Se alguém fora daqui mencionar Larissa, você nega. — Ela odiou a ideia, mas engoliu o nó na garganta.

Três dias depois, Rafael a arrastou para o estande de tiro nos fundos da propriedade. — Você não vai depender de sorte — disse, entregando-lhe uma pistola calibre .22. Larissa tremia, mas a mão dele sobre a dela guiou a empunhadura. O primeiro disparo a assustou, mas, ao fim de duas horas, já não errava o centro do alvo. — Você tem instinto — murmurou Rafael, ajustando a postura dela com as mãos firmes. Larissa sentiu um orgulho estranho brotar no peito.

A rotina se desenrolava entre tardes de preparação e noites de aparições. Uma governanta calada e uma estilista a transformavam em vitrine. À noite, Rafael a expunha em jantares clandestinos, leilões de arte e cassinos ilegais escondidos em mansões de Alphaville. Ele comprou brincos de diamante que pesavam como algemas e vestidos que colavam no corpo. Em cada evento, passava o braço pela cintura dela, roçava os lábios perto da orelha e falava frases em italiano que não significavam nada — exceto para as pessoas que assistiam.

Assim que entravam no carro, o calor sumia. Rafael voltava a ser distante, calculista.

Até que uma noite, no escritório da casa, depois de um jantar tenso, ela explodiu.

— Você mexe demais as mãos. — Ele estava de costas, servindo uísque.

— Eu não sou uma agente sua. — A frustração escapou depois de duas semanas engolindo o medo. — O Victor fotografou cada gesto meu. Não consigo respirar nessa farsa.

Rafael se virou. Atravessou o tapete persa e parou a centímetros dela. A luz do abajur âmbar batia na cicatriz.

— Medo passa vulnerabilidade. O Victor fareja isso e te ataca.

— Como eu vou fingir que pertenço a um mundo de armas e sangue?

Ele ergueu a mão e segurou o queixo dela. O polegar áspero forçou o contato visual.

— Você não precisa fingir que pertence a esse mundo. — A voz era rouca e baixa. — Precisa fingir que pertence a mim. Se estiver do meu lado, ninguém te toca.

Por alguns segundos não houve plateia. Só os dois. A mão dele não era performance. Larissa sentiu um calor se alastrar pelo peito, um misto de raiva e proteção que não sabia nomear.

Passos no corredor quebraram o instante. Enzo entrou, o rosto tenso.

— Achamos o vazamento.

O nome do traidor era Rogério, braço direito de Rafael no setor de cargas. Uma transmissão interceptada de um celular pré-pago revelou que ele repassava as rotas de entrega e os deslocamentos da segurança para Victor Almeida.

— Onde ele está agora?

— Na segurança do leilão de diamantes, no hotel Grand Hyatt. O Victor também vai. Hoje.

Rafael virou-se para Larissa.

— Enzo, avisa a Penélope que ela vai usar o vestido vermelho.

Quarenta minutos depois, Larissa se olhava no espelho. O vestido era rubro, decote profundo, fenda lateral que deixava à mostra um coldre de couro preso na coxa. Dentro, um pequeno derringer calibre .22. Rafael tinha insistido. Ajoelhou-se diante dela para ajustar o coldre, os dedos roçando a pele, o gesto longo demais para ser prático. Larissa segurou a respiração.

O leilão ocupava o salão principal do hotel, um desfile de cristais e diamantes brutos sob lustres gigantes. Políticos corruptos, empresários e chefes de facção circulavam entre taças de champanhe e seguranças de smoking. Quando Rafael e Larissa entraram, o burburinho cedeu. Ele apoiou a mão firme nas costas dela.

— Deixe o rosto iluminar.

Larissa abriu uma expressão radiante e colou o corpo no dele.

Do outro lado do salão, Victor Almeida exibia um ar de réptil satisfeito. Cabelo grisalho puxado para trás, terno azul-marinho. Ao lado, Rogério, pálido, gaguejava respostas. Victor murmurou algo e Rogério acenou que sim repetidas vezes.

Rafael caminhou direto para eles. Os convidados abriram alas.

— Victor.

O rival abriu os braços com falsa hospitalidade.

— Rafael, que prazer. E essa mulher magnífica? Você escondeu tempo demais.

— Victor, esta é Larissa. Minha noiva.

A palavra caiu como uma granada. Larissa piscou. Rafael tinha acabado de inflacionar o valor da isca. Victor a examinou.

— Seria uma pena se algo acontecesse com um investimento tão valioso.

— A única pena hoje — a voz de Rafael baixou — vai ser a diminuição do tempo de vida que te resta, se continuar olhando pra ela assim.

A quietude se alastrou. Rogério levou a mão ao paletó. Larissa viu o movimento ansioso. O coração disparou na garganta. Lembrou da orientação: aja como se pertencesse a ele.

— Rafael — puxou a voz com a doçura ensaiada e deslizou os dedos pela lapela do terno dele —, o ar está abafado. Quem sabe o Rogério pega um champanhe para mim?

Fixou os olhos no traidor. Ele entendeu na hora que estava descoberto. Congelou. Olhou para Victor em pânico. A expressão do rival murchou.

— Traga uma bebida para a dama. — Rafael falou com a calma de uma sentença.

Rogério recuou. A mão tremia sobre a abertura do paletó.

— Rafael, eu juro…

— Não gaste seu último fôlego.

O que veio a seguir foi um borrão. Rogério sacou a arma. Não mirou em Rafael, porque sabia que não teria tempo, e apontou para Larissa.

— Ninguém se mexe.

Puxou-a pelo braço, o tecido vermelho rasgando no ombro. Os gritos explodiram, taças se estilhaçaram no mármore. Os homens de Rafael e os seguranças do hotel ergueram as armas, mas ninguém atirou. Rogério segurava Larissa como um escudo humano perfeitamente alinhado entre dois grupos de atiradores, e um tiro errado poderia atingi-la. Rafael murmurou uma ordem que se espalhou rápido: — Ninguém aperta o gatilho.

Rogério colou o cano na têmpora de Larissa.

Rafael ficou imóvel. Mas os olhos cinzentos queimavam com uma fúria que Larissa nunca vira. Não era a frieza de um estrategista. Era um homem vendo a parte mais importante da sua vida prestes a ser arrancada.

— Solta ela. — A voz não era um grito. — Solta e eu enfio uma bala na sua cabeça em vez de dez.

Rogério recuava para o elevador de serviço, arrastando Larissa. Gritou que Victor lhe prometera o comando da zona norte, que Rafael estava fraco por causa de uma mulher. Victor, atrás dos seguranças, exibia um meio riso.

O metal gelado queimava a pele de Larissa. O pânico latejava. Mas ela encarou Rafael e decifrou o medo por trás da raiva. Não havia mais farsa ali — percebeu quando o próprio peito apertou, não pela arma, mas pela ideia de perdê-lo.

Não ia morrer de vítima num vestido emprestado.

O derringer continuava na coxa. Rogério era mais alto e forte, mas a atenção dele estava dividida entre as armas apontadas e a rota de fuga. Larissa inspirou fundo e deixou o corpo inteiro desabar.

O peso súbito pegou Rogério desprevenido. Ele tropeçou, xingou, perdeu o apoio no braço dela, mas ainda agarrou os cabelos. Larissa enfiou a mão na fenda do vestido, os dedos alcançaram o cabo. Lembrou das tardes no estande, da mão de Rafael sobre a sua, e apertou o gatilho.

O estrondo foi ensurdecedor. A bala entrou no ombro de Rogério e estilhaçou a clavícula. Ele berrou e largou a pistola, desabando no mármore.

Antes que o corpo batesse no chão, Rafael já estava em movimento. A primeira bala não foi para Rogério. Atravessou o peito de Victor Almeida, que tombou sem entender.

Tiroteio varreu o salão. Lustres explodiram, cristais viraram chuva, e Rafael agarrou Larissa pela cintura. Arrastou-a para trás de uma coluna de mármore enquanto balas arrancavam lascas da parede.

— Você está ferida? — As mãos dele subiam pelo corpo dela, apalpando braços e costelas, os dedos sujos do sangue de Rogério misturados ao vermelho do vestido.

— Não estou. — A mão dela tremia ao largar o derringer vazio no carpete.

Rafael encostou a testa na dela. A respiração pesada.

— Sua louca. Você podia ter morrido.

— Você disse que eu pertencia a você. — Ela agarrou as lapelas do terno dele, igual ao primeiro encontro no corredor. — Eu não ia deixar que ele me levasse.

Por um instante o tiroteio ficou distante. Rafael não era o chefe de facção. Só um homem que tinha acabado de quase perder tudo. Puxou-a e beijou. Foi um beijo sem ensaio, sem fotógrafos, carregando gosto de pólvora e um desespero que nenhum dos dois admitiu antes.

— Enzo. — Rafael se afastou, mas não largou Larissa. — Limpa.

A voz de Enzo ecoou: “Área livre.”

O salão estava destruído. Victor jazia ao lado das vitrines de diamantes. Rogério ainda respirava, pedindo misericórdia. Rafael se aproximou, mirou e fez o último disparo. Depois guardou a arma e voltou a encarar Larissa. A máscara de comando se desfez; a expressão que surgiu era crua, sem disfarces.

— Acabou. Meus homens podem te levar direto pro aeroporto. Você está livre.

Larissa olhou os cacos de vidro, o sangue no mármore, e depois o homem que a forçara àquela guerra e ao mesmo tempo a fizera se sentir inteira. Cruzou os detritos e encaixou os dedos entre os dele.

— Eu já falei, Rafael. — Limpou um vestígio escuro da cicatriz no maxilar dele. — Eu não vou fugir.

Rafael Carvalho deixou um canto dos lábios se erguer. E a abraçou forte, enquanto as sirenes começavam a furar a noite de São Paulo.

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